no ,

Empresas que obrigam a apresentar a carteira de vacinação é um ato válido ou ilegal?

Por Flavia Derra Eadi de Castro

Carteirinha de vacinação de São Paulo contra Covid-19 [Imagem: Reprodução/Beatriz Ferreira]

Desde o início da vacinação, há quem é contra, há quem é a favor e isso passou a influenciar no ambiente de trabalho e nas decisões judiciais.

Diversas empresas, baseadas em decisões judiciais recentes, passaram a exigir na contratação de empregados, nos exames admissionais tanto quanto nos periódicos, a apresentação da carteira de vacinação, caso contrário não são contratados e na recusa de tomar a vacina o funcionário poderá ser demitido por justa causa, a depender da política e normas internas da própria empresa.

Com toda essa polêmica, no dia 01 de novembro de 2021, foi publicada a Portaria do Ministério do Trabalho e Previdência nº 620, que entre outras especificações determinou que:

art. 1º, § 1º: Ao empregador é proibido, na contratação ou na manutenção do emprego do trabalhador, exigir quaisquer documentos discriminatórios ou obstativos para a contratação, especialmente comprovante de vacinação (…)”.

Além desta determinação o § 2º especifica que “considera-se prática discriminatória a obrigatoriedade de certificado de vacinação em processos seletivos de admissão de trabalhadores, assim como a demissão por justa causa de empregado em razão da não apresentação de certificado de vacinação”.

A portaria traz em seu texto que ao empregador resta estabelecer e divulgar orientações e protocolos com a indicação de medidas necessárias à prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão da Covid-19, podendo oferecer os testes periódicos que comprovem a não contaminação pela Covid-19. Porém, neste caso, os trabalhadores serão obrigados a realizarem a testagem ou apresentarem o cartão de vacina.

A portaria especifica ainda que, no caso de rescisão contratual, por ato discriminatório (ou seja, por descumprimento a uma das regras estabelecidas nesta), além do direito a reparação por dano moral o empregado poderá optar entre a reintegração ou a percepção em dobro da remuneração do período de afastamento.

A polêmica está que o próprio judiciário trabalhista já vem se posicionado favorável as demissões por justa causa, no caso do funcionário não querer se vacinar ou não apresentar comprovante de vacinação, quando a empresa imputar o ato como obrigatório.

O próprio STF há tempos já se posicionou favorável a vacinação compulsória, portanto, entendo como válida a obrigação da vacinação imposta pelas empresas públicas e privadas.

Porém, tudo isso são entendimentos jurisprudenciais e podem ser modificados a qualquer tempo, caso venha uma lei que sobreponha a estas decisões.

Já a Portaria ministerial NÃO TEM FORÇA DE LEI, mas certamente passará a influenciar nas decisões judiciais, ademais quem já achava discriminatória e ilegal a imposição da vacinação nas empresas.

Concluímos que ainda estamos em uma instabilidade jurídica em relação a obrigatoriedade ou não de se tomar a vacina e o ponto crucial da discussão é se os interesses individuais, liberdade individual de cada um poder decidir o que é melhor para sua vida, se sobrepõe aos interesses coletivos, de um ambiente saudável e salubre com todos os colaboradores vacinados no mesmo ambiente de trabalho.

Quero lançar ainda uma provocação, muitos locais privados como bares, restaurantes, cinemas entre outros e também órgãos públicos como Fóruns, Prefeituras entre outros, estão exigindo a carteira de vacinação para adentrar em suas sedes, seria esse também considerado caso de discriminação? Poderiam estes locais exigir de qualquer pessoa a vacina mas de seus funcionários não?

 

 

 

 

 

 

 

 

Flávia Derra Eadi de Castro é Advogada Especialista em Direito do Trabalho e Sócia na RGL Advogados

Escrito por Redação

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carregamento

0

Comentarios

0 comentarios

Trabalhador pode ‘demitir’ empresa por excessos no home office

Portaria nº 620 e o ônus para os empregadores